sábado, 10 de dezembro de 2016

A Matrix Estatal

Num tempo não muito distante, num planeta e país qualquer...

Vive-se uma Matrix Estatal. A mente de todos foi estatizada, massificada. Todos se tornaram mais ou menos comunistas sem nem perceber, por intermédio da doutrinação cultural. Todos passaram a depender e a delegar cada vez mais poderes ao Estado, eximindo-se de suas responsabilidades, numa espécie de infância civilizatória, ou berçário de sua própria cidadania. Eram as crianças estatais. Aceitavam serem tratadas como inaptas pelo Estado, mas eram exploradas em sua força laboral como adultos.

Nesse exótico país, todos trabalhavam seis meses no ano apenas para pagar impostos para sustentar um sistema de Três Poderes do Estado onde a corrupção era a "regra", oculta aos olhos, mas não aos corações, que sentiam-se desconfiados, mas, ainda assim, consentiam em viver nessa sórdida situação. 

A mídia oficial desse lugar era apenas uma máquina de propaganda subversiva dissimulada, a manter todos idiotizados. A cultura foi degenerada, e até mesmo uma parcela dos estudantes e acadêmicos desse país tornaram-se analfabetos funcionais, só que politizados. Era a casta dos engajadinhos defensores do sistema, por isso, eram conhecidos como politicamente corretos. Foi um ciclo terrível de corrupção das ideias. Subjetividades foram sequestradas. Tristes tempos em que se protestava pela educação vandalizando escolas e universidades e não deixando os outros estudarem. E onde fascistas culturais acusavam os outros de fascistas e golpistas por não se alinharem a sua distopia igualitária.

Enquanto isso, os vendilhões das religiões do ocidente ao oriente, serviam aliciando almas. Havia desde Papas, a Teólogos e Lamas, traindo a essência de suas tradições. Muito populares, carismáticos e de fala mansa, serviam ao comunismo, todos prometendo um "outro mundo possível", neste reino ou num próximo. Bastaria orar, meditar ou praticar a não-violência. Gurus folclóricos do oriente vinham ao ocidente falar de paz e ensinar a meditação a tropas do narcotráfico de países vizinhos, a fim de convencer os seus povos a selarem acordos de paz e dar anistias a guerrilheiros, legalizando a sua participação na vida política da nação. Encenar era bem mais fácil do que transformar. A estética da desconstrução e do relativismo virara moda e a espiritualidade tornou-se um arco-iris multicolorido, um jardim de infância de ilusionismos, onde achava-se que a maldade suprimida, insistentemente negada, silenciada ou mantida velada, simplesmente desapareceria...

Nesses tempos sombrios, o cidadão trabalhador era apenas um servo do Estado. Era tão duro de reconhecer isso, apesar das várias "gaps" que indicavam as depravações do sistema, que muitos preferiam repetir mentiras e viver na mentira. Outros, aprenderam a fingir conveniências. E havia quem optasse pela ignorância como defesa, pois não tinha estômago para a realidade. Pela omissão da maioria, restava a todos sustentarem com o suor de seu trabalho um governo de gangsteres, de parasitas sociais, de burocratas corruptos. Todos em realidade eram escravos de uma cleptocracia, mas a narrativa era a de que se vivia numa democracia, com eleições e tudo o mais. Narrativas bastavam para ludibriar as mentes acomodadas e sedentas por ilusões, benefícios e facilidades aparentes. Raros não se deixavam subornar por prazeres fugazes, status, privilégios e imediatismos de todos os tipos, mesmo que em prejuízo do futuro de cada um e de toda a nação.  

Lentamente, no entanto, as coisas começaram a vir a tona, pois tudo o que é reprimido, acaba retornando. Havia gente irresignada e que não queria mais se alinhar a isso de modo algum. Esses foram influenciado outros que não queriam mais se deixar enganar ou escravizar. O desafio, porém, é que não se tratava apenas de escolher entre a pílula azul ou a vermelha. Mas sim, entre praticar a dignidade ou a covardia. Entre a luta pela justiça ou a alienação. Entre a liberdade ou o comunismo. A todos nesse país, passou a ser oportunizado: "Façam a sua escolha. Despertem. Ou continuem deitados em berço esplendido, acreditando que o Estado cuidará de vocês."

E foi assim que um novo capítulo dessa história começou e uma "batalha" pelos corações e mentes se intensificou...


Epílogo:

Porém, havia um detalhe muito importante: Nenhum grupo podia ganhar essa batalha. Não definitivamente. E, por isso, essa não era a meta final. Não era isso o que mais importava. Sabe-se lá, talvez essa batalha atravessasse galáxias e tempos distantes, variando tão somente o seu cenário e os seus personagens. Assim, não eram os "fins", mas sim os "meios", o que mais importava! O importante era justamente exercitar a "retidão" na luta e, portanto, não se podia lutar de qualquer jeito, era preciso "aperfeiçoar-se" e desenvolver "virtudes" ou "inteligências" para a ação social. Seria prioritário exercitar uma ética da autoconsciência. Entrementes, buscar o autoconhecimento.

Todos precisavam então, em algum nível, olhar para si mesmos, para o seu interior e perceber que ali havia muito trabalho paralelo por se fazer. Ali estavam as brechas pelas quais todos deixavam-se oprimir. Ali haviam muitas contradições a sanar, muitas feridas a curar, muitos ressentimentos a expurgar, muita maldade por redimir, muitas sombras a integrar. Ali havia muito amor e sabedoria a expandir. E isso sim, era o que mais importava. Essa era batalha das batalhas, a sua genuína pacificação e o seu propósito maior.

A energia do amor já não podia mais continuar a ser subestimada. O afeto não podia mais continuar apartado do intelecto. Nem as sombras podiam continuar a ser projetadas somente nos outros. Muito menos - e cada vez mais gente se dava conta disso - iriam haver mudanças significativas se tantos continuassem inertes espiritualmente, sem olhar as regiões abissais dentro de si e a confrontar o sistema. Era chegado o tempo dos infantes estatais se libertarem. Mas, só se estivessem dispostos a assumir novas e maiores responsabilidades. E a encarar a si mesmos. A entrar em ação. E crescer.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Do relativismo moral ao politicamente correto e a banalização do mal na sociedade

"Para corromper o individuo basta ensiná-lo a chamar de 'direitos' seus desejos pessoais e 'abusos' os direitos alheios." - Nicolás Gómez Dávila

"O inconsciente não é apenas o mal por natureza, é também a fonte do bem maior." - Carl Gustav Jung


No filme “O experimento de aprisionamento de Stanford (2106)”, baseado em fatos verídicos, vinte e quatro estudantes do sexo masculino são selecionados para viverem os papéis de presos e guardas em uma prisão simulada. No enredo há um diálogo impactante entre os personagens, onde um deles se dizia chocado com a imaginação para fazer o mal que o seu colega havia incorporado como carcereiro. Ao que esse replica, afirmando que o seu choque, por sua vez, foi constatar que por mais cruel e abusivo que estivesse agindo em seu papel, nenhum de seus pares fazia nada a respeito, ninguém o confrontava, eram todos submissos. E isso seria o mais surpreendente de tudo, a passividade dos participantes diante do mal e do abuso de poder evidenciado pelo experimento, a propensão licenciosa de todos para a maldade.     

Nesse aspecto, os estudos de Hannah Arendt, filósofa judia que popularizou a expressão “a banalização do mal” trouxeram reflexões importantes para a compreensão sobre a influência da cultura na maldade humana. Arendt gerou grande polêmica em sua época ao considerar que alguns oficiais nazistas eram meros burocratas que se limitavam a cumprir ordens sem qualquer remorso ou questionamento a autoridade, evidenciando assim, o peso da imersão cultural na ideologia nazista para explicar a massificação genocida institucionalizada que permeou a conduta dos alemães naquele tempo.

Paralelamente, em sua obra "Aspectos do drama contemporâneo" o psiquiatra suíço C.G. Jung buscou explicar do ponto de vista da psicologia do individuo, o que poderia levar um povo culto como o alemão a se deixar envolver com o nazismo, alertando para o fato de que qualquer nação poderia estar propensa a algo parecido devido às predisposições dissociativas da psique humana. Diz ele: "Na medida em que não posso dar por suposto que o leigo saiba o que se entende por 'histeria', gostaria de observar que a disposição 'histérica' constitui uma subdivisão do grupo chamado de 'inferioridades psicopáticas'. Com isso não se quer dizer que o individuo ou um povo sejam inteiramente 'inferiores' e sim que existe um 'locus minoris resistentiae' (lugar de menor resistência), uma certa instabilidade em meio a todas as qualidades possíveis. (...) A essência da histeria consiste na dissociação quase que sistemática, numa desvinculação dos pares de opostos que normalmente se encontram estreitamente ligados, o que provoca, muitas vezes, uma cisão da personalidade, ou seja, um estado em que realmente uma mão não sabe o que a outra faz. Em geral, ocorre um espantoso desconhecimento acerca das próprias sombras, conhecendo-se apenas as boas intenções." (Obra Completa, 10/2 - Civilização em mudança - pgs. 40 e 41)

Dessa maneira, considerando o experimento de Stanford e as ponderações de Hannah Arendt, podemos chegar a uma conclusão que deveria ser aterradora, não fosse o entorpecimento provocado pelos próprios sistemas em que vivemos, de que a burocracia pela burocracia, a obediência pela obediência, o poder pelo poder, pode nos tornar psicopatas em algum grau sem que sequer suspeitemos. O que também deveria nos fazer refletir ainda mais seriamente sobre a advertência de Jung, de que ao ignorarmos as nossas fragilidades psicológicas, tendemos a nos tornar ainda mais vulneráveis a uma aderência irrefletida ao autoritarismo ou a ideologias totalitárias

Como dizia o sábio indiano Krishnamurti: “Quando eles oferecem sistemas e você os aceita, você está fechado, seguro, protegido, e você sente isso. E a maioria da pessoas querem se sentir protegidas psicologicamente. Mas as instituições nunca salvaram o homem, politicamente, religiosamente; elas nunca realmente libertaram o homem da sua tristeza, dor e todo o resto. Sabemos disso, mas os sistemas tem um apelo extraordinário para aqueles que não pensam”. Em outros termos, pode-se afirmar que tanto a nossa ignorância existencial, quanto a tendência à acomodação e a presunção de que a razão possa ser separada dos impulsos e emoções mais primitivos do nosso inconsciente, são predisposições que contribuem para a manutenção de sistemas opressores. Ou seja, a nossa tendência instintiva e natural para reproduzirmos os papéis, tanto de opressores, quanto de oprimidos, conforme o sistema ou a cultura em que estamos inseridos.

Dessa feita, temos bem resumidamente, pelo menos dois fatores decisivos para a banalização do mal na sociedade, sendo um de propensão mais individual e outro de influencia mais cultural ou coletiva. O primeiro e mais atávico desses fatores é uma gênese de muitos outros males, é o complexo de inferioridade do individuo, e que se mantém pela dissociação afetiva da razão com as emoções e sua relação com a espiritualidade e o inconsciente profundo. Essa menosvalia, ou desamor, ou vazio existencial ou carência afetiva, pode ser nomeada de várias formas, não importa, pois constitui uma predisposição inerente a nossa condição humana, a qual várias patologias como a dissonância cognitiva, a histeria, as neuroses, perversões e psicoses, se vinculam e derivam. É a nossa vulnerabilidade original e que lá no fundo torna as pessoas tão propensas à sedução pelo poder, a lideranças ditatoriais, a engenharia social e a métodos de condicionamento cultural de todos os tipos e em diferentes épocas no decurso da história.

O segundo fator é o histórico-cultural e muda a sua versão ciclicamente conforme as estruturas de poder na sociedade num dado período. Todo o sistema vigente quando influente excessivamente em nossas vidas, acaba nos coagindo e alienando do primeiro fator a fim de explorá-lo. No passado, a ideologia dominante no Ocidente já foi a religião eclesiástica, depois veio a ciência positivista e agora é a vez da filosofia relativista. Cada um desses sistemas de crenças trouxe as suas promessas, as suas compensações, os seus perigos e as suas ilusões. Hoje observamos o predomínio do relativismo pós-moderno na contemporaneidade surgindo como um movimento de compensação pendular na sociedade, mediante a irrupção das forças inconscientes reprimidas pelo conservadorismo que lhe antecede, seja esse de ordem religiosa ou científica, representados pela pré-modernidade e modernidade, respectivamente.

O relativismo tem o mérito de ter demonstrado a inviabilidade de todo e qualquer sistema de crenças representar uma verdade absoluta. E desse modo nos ajudou a romper com alguns dogmas religiosos e científicos abusivos. Mas também é verdade que ele igualmente desconstrói a ciência e a religião em seus aspectos mais essenciais e saudáveis, tendo em vista não haver diferenciação de valores numa perspectiva onde tudo é relativo. Em si mesmo, o devir relativista é incapaz de verificar o que é válido e o que não é, tanto na ciência, quanto na religião, tornando-se assim amoral e perigoso. É por isso que os intelectuais e acadêmicos relativistas da moral recaem todos em uma constrangedora demagogia ao defenderem que nenhuma visão é melhor do que a outra, a não ser, claro, a deles próprios que é melhor do que todas. Isso se revela quando incidem num absolutismo relativista, bem como, em sua negação em reconhecer os méritos da ciência, como o seu empirismo compartilhado, ou objetividade consensual (portanto, "factual" conforme um dado contexto), tanto quanto os valores humanos mais essenciais da religião, como a ética da reciprocidade, a “regra de ouro” e todas experiências interiores baseadas em outras funções da consciência diferentes da razão, e que podem ser vividas, partilhadas e comunicadas, representando formas de espiritualidade genuína.

O relativismo por si só, se relativiza, não se sustenta, torna-se autocontraditório, uma mera abstração, um exercício intelectual niilista a dar vazão a qualquer tipo de impulso dissociado de suas consequências. Por isso, sua mera teorização pode converter-se facilmente num modo intelectualizado, cínico e sofisticado de se corromper a linguagem e de se fazer apologia à psicopatia e a perversão, podendo favorecer a normatização e a camuflagem de níveis intermediários de psicose e de outras psicopatologias em nossa cultura. Ou em outros termos, a subversão de valores e a degradação moral e mental da sociedade. Mais preocupante ainda é a constatação de que na mesma medida em que ele pode ir se infiltrando e dominando o “establishment”, pode replicar-se cada vez mais, seja pela política, ou através da mídia, universidades, escolas, novelas, filmes, etc., fazendo uso de todas essas instâncias como verdadeiras máquinas de propaganda subversiva e de degeneração das massas, de modo a propagar a mentira, o crime, a corrupção, a perversão e a psicopatia como práticas comuns e aceitáveis na sociedade, e numa escala assustadoramente crescente.        

Podemos inclusive, verificar com certa repugnância o quanto o relativismo tornou a mídia oficial descaradamente desonesta nos dias de hoje, a ponto de se confirmar a previsão do jornalista húngaro Joseph Pulitzer de que “com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”

O fato é que toda essa engenharia social visa tão somente um fim que é o de capturar a subjetividade das pessoas e direcioná-las conforme os interesses dominantes. Nesse sentido, vivemos um momento dramático, onde pensadores que inspiraram a criação de revoluções culturais ou epidemias psíquicas tornaram-se bastante influentes em nossa cultura, embora suas proposições tenham por meta tão somente a tomada de poder e nunca a melhora do ser humano. Num geral, todos eles defendem uma agenda que o próprio relativismo tem ajudado a implementar e que visa manipular ressentimentos para destruir os alicerces da civilização ocidental. Essa agenda tem por meta dividir ao máximo a sociedade, valendo-se inclusive da apologia ao crime como forma subversiva de justiçamento social. Intenta igualmente explorar a luta de classes e a vitimização das minorias, jogando uns contra os outros, na mesma medida em que propõe a intervenção estatal como "salvação" para todos esses conflitos, até mesmo os familiares. Desse modo, incentiva o infantilismo psicológico pelo culto a dependência governamental e tudo o mais que tiver ao alcance para enfraquecer o indivíduo, a família e a sociedade. Certamente buscando algo parecido ao futuro distópico de "1984", obra de George Orwell, em que os pais são apenas genitores de seus filhos, enquanto esses são doutrinados pelo Partido, representação máxima de um governo totalitário.

Afinal, conforme já afirmava o antropólogo Claude Lévi-Strauss, as relações de parentesco são a base de toda e qualquer cultura, pois nos introduzem ao simbólico e nos dão acesso a linguagem e a socialização. A educação teria por meta retirar o sujeito de sua natureza primitiva, habilitando-o a sublimar os seus instintos para melhor conviver socialmente. E isso se daria gradualmente nas diferentes fases da vida pela inserção nas leis, nas regras e papéis sociais. Em sintonia a isso, a psicologia do desenvolvimento revela que a criança é influenciada desde a sua concepção pelas interações e afetos a sua volta, de modo que a afetividade ou a amorosidade precisaria ser exercitada mediante duas funcionalidades básicas: a materna e a paterna.

A função materna representaria para o bebê tanto o cuidado físico, quanto o psicológico, ou seja, realizando-se desde a alimentação, até os cuidados mais básicos, tanto quanto, nos vínculos afetivos, desejos, sinais, sintomas, que se estendem a criança para serem simbolizados. A função paterna, por sua vez, representaria o corte na simbiose mãe-bebê, tanto quanto, os limites, restrições, interdições, transições e rupturas que impulsionam a inserção da criança na cultura. A função paterna, pode se dizer, seria uma mediadora necessária de conflitos, e em seu modo salutar precisaria funcionar como uma autoridade facilitadora das transições para a vida adulta e em direção ao desenvolvimento humano. Até mesmo por isso, ambas essas funções podem ser realizadas por pessoas que rodeiam a criança desde a sua concepção, passando pelo seu nascimento, desenvolvimento e maturação, influenciando decisivamente o infante na elaboração de sua subjetividade.

Em nossa sociedade contemporânea observamos um declínio excessivo da função paterna sadia, fragilizada pela subversão de valores do relativismo pós-moderno em sua afetação pela busca incessante do gozo sem restrições morais ou relacionais. Tudo isso sendo reforçado pelo “sentimentalismo tóxico”, conforme a expressão do psiquiatra Theodore Dalrymple, e que convém a esse reducionismo ao estético, a falta de profundidade, ao vazio e ao niilismo da perspectiva relativista, na medida em que isso vai gerando uma série de concessões às diversas chantagens emocionais imputadas arbitrariamente pelos relativistas através de incitadoras palavras de ordem e que favorecem a instauração de um poder paralelo, a perversa ditadura do “politicamente correto”.

Em seu desprezo por qualquer tipo de autoridade ou moral, os relativistas impõem veladamente o seu poder de coerção pela "mera abstração" e pelo seu desdém pelos fatos objetivos. Igualmente, pela sua militância antiética, seu autoritarismo disfarçado ou "duplicidade" e a sua consequente profusão de incoerências e contradições insanas que abrem território a todo e qualquer tipo de perversão e psicose, e que assim perigosamente vão se alastrando, podendo atingir níveis epidêmicos.

Devemos nos alarmar com fato de que a sociedade moveu-se rapidamente nas últimas décadas de um conservadorismo gerador do sujeito neurótico e contido de outrora, para o sujeito psicótico e perverso, o delinquente que não respeita as interdições sociais, e se sente livre para transgredir as regras a seu bel prazer. Deste modo, nos movemos socialmente de um extremo a outro, do conservadorismo a devassidão, enquanto a ética e os valores mais saudáveis ficaram perdidos em meio a esses extremos, obscurecidos pelos perigos e males da fachada perversa do politicamente correto. E isso ocorre porque geralmente ignoramos o quanto determinados padrões psicológicos inconscientes tendem a levar as pessoas e sociedades de um extremo a outro, pendularmente, conforme a época, de modo que os excessos conservadores do passado, e a exorbitância da função paterna, foram sendo substituídos pelo relativismo moral e a sua inversão de valores.

Ou seja, o que as pessoas continuam a ignorar é que esses sistemas coercitivos funcionam tão somente como mecanismos de manutenção e defesa para a carência de consciência amorosa interligada ao desarranjo ético, moral e espiritual nosso de cada dia, e que isso só pode ser superado pelo progresso interior de cada ser, antes do que por qualquer tipo de salvação que um sistema tenha a oferecer. Como bem reitera Jung: "O que o Ocidente, com suas cisões políticas e confessionais, pode oferecer ao indivíduo moderno a fim de aliviar suas aflições? Infelizmente nada, a não ser alguns caminhos cuja finalidade única é muito semelhante ao ideal marxista. O entendimento não necessita de um esforço especial para reconhecer onde a ideologia comunista assenta a certeza e a convicção de que o tempo trabalha a seu favor e que o mundo se encontra maduro para uma conversão. Os fatos falam, nesse sentido, uma linguagem bem precisa. De nada ajudaria ao Ocidente fechar os olhos para essa realidade e se recusar a perceber a sua vulnerabilidade fatal. Quem foi sempre ensinado a se submeter incondicionalmente a uma fé coletiva e a abdicar do eterno direito de sua liberdade e do respectivo dever de sua responsabilidade individual, permanecerá na mesma atitude, com a mesma fé e falta de crítica, se enveredar para uma direção oposta ou substituir o idealismo confessado por outra convicção, mesmo considerada ‘melhor’.”

Por isso, precisamos questionar seriamente os tipos de padrões psicológicos de conduta histórico-individuais e sistêmicos que de modo inconsciente repetimos, colaborando para esses esquemas totalitários. Ou continuaremos a ser escravos que apenas mudam de senhorio. É preciso rever a nossa própria mentalidade enviesada e investigá-la a fundo, inconsciente adentro. Na prática, todo o ser humano tende ao apego ao poder, como um vício, seja pelo deslumbre ou ressentimento. Por isso, a necessidade de cada um assumir também a responsabilidade em examinar o próprio comportamento ambivalente ao invés de esperar apenas a salvação vir de fora, por meio de algum líder ou política, religião, ciência ou ideologia salvadora. Há muito a se fazer prioritariamente no plano educativo, afetivo, moral e ético de cada ser e ninguém em sã consciência aqui neste planeta tem asas para ficar se achando anjo ou para acreditar que a sua ideologia seja detentora do monopólio das virtudes; embora muitos acabem recaindo exatamente nisso. Como bem diria Thomas Sowell:

"Aqueles que só se preocupam com as intenções declaradas das políticas - em vez dos resultados que apresentam - só estão preocupados em passar uma imagem de bom moço de sua própria pessoa, como quem diz ‘eu apoio os desfavorecidos, eu fiz minha parte, eu sou moralmente superior’, mesmo que estes desfavorecidos acabem piores depois da instituição das medidas defendidas, coisa que os ‘bons moços’ raramente verificam, pois sua realização pessoal não está na real melhora da vida dos demais, mas sim na autoafirmação de que é uma pessoa virtuosa”.

E, no entanto, necessitamos mesmo é de mais pessoas dispostas a autorresponsabilidade do que a essa autoafirmação eloquente de suas virtudes, pois, se o relativismo se disseminou em resposta aos abusos de poder e aos excessos morais do passado, ou a exorbitância da função paterna, representada pelo autoritarismo conservador, cujo legado é um rastro de culpas e ressentimentos, então precisamos reequilibrar a balança social, e nos redimirmos intimamente com a nossa própria autoridade ao invés de negá-la, acabando por nos deixar levar ao outro extremo, em que o relativismo se torna o próprio mal que pretende sanar, capturando e subvertendo a função amorosa paterna em um desprezo autoritário pela ética.   

Podemos então, relembrar Aristóteles e a sua noção de que a ética é a equidistância entre a ação e a emoção nas relações, nos indicando a importância de equalizarmos o sentir e o saber desde o nosso interior ao nosso fazer social. Só assim a evolução humana pode assumir o seu modo autoconsciente, ganhando contornos de um "individualismo cooperativo", e que realiza-se numa psicodinâmica de escolhas e ações mais lúcidas entre os extremos do individualismo e do coletivismo. Na mesma medida, esse intercurso nos demanda a atenção plena à recorrência de que sempre vai ser mais fácil aderirmos a algum extremo, seja por conveniência ou comodidade, do que sermos éticos e autênticos. Não fosse assim, viveríamos numa sociedade moralmente e espiritualmente avançada, guiada para o amor, o que ainda não é o caso. Pois, essa é a meta a ser, sendo.  


sábado, 29 de outubro de 2016

Guerra cultural: o lado irado do guerreiro pacifico   

"Não se opor ao erro é aprová-lo. 
Não defender a verdade é negá-la". (São Tomás de Aquino)


“Dance, quando você se sentir machucado. Dance, quando você tirar o curativo. 
Dance enquanto luta. Dance em seu sangue. Dance enquanto se liberta ” (Rumi)


Um dos trechos mais famosos do Mahabharata, poema épico da tradição hindu-indiana,  é o Bhagavad Gita  “Canção do Divino Mestre”, e que descreve a recusa e relutância de um piedoso Arjuna em querer lutar numa batalha fratricida, após a falha em se chegar a uma saída pacifica, tendo em vista que os oponentes seriam o seu próprio povo, membros de sua clã, amigos e conhecidos de outrora. E, por outro lado, o incentivo de Sri Krishna, encarnação divina, para que Arjuna se recorde de sua condição de guerreiro e que vá a luta para proteger a retidão e a justiça, participando da guerra. Eis aqui nessa passagem talvez o maior dilema da práxis da espiritualidade desde a antiguidade até os tempos atuais!

Afinal, é verdade que precisamos exercitar um olhar que abençoa! Se miramos a paz, se buscamos a felicidade e desejamos o bem comum, a fraternidade entre as pessoas, então devemos aspirar isso não só como meta, mas principalmente, como prática. Podemos reconhecer que o diálogo nesse sentido é fundamental. A gratidão, necessária. A generosidade, uma dádiva, um celebrar a gratuidade da vida. Do mesmo modo, orar, ter fé, aprender a reverenciar o sagrado em todas as coisas. Exercitar a compaixão. Meditar, silenciar ou aquietar a mente. E AMAR acima de tudo. Essa espiritualidade “solar” que nos incentiva “ao bom, ao verdadeiro e ao belo” em nossas relações e na vida, é sem dúvida alguma, uma fonte inesgotável de energia e uma dimensão essencial da nossa existência.

Todavia, o que fazer diante da maldade, da mentira e do radicalismo dos que ignoram tudo isso e querem nos manipular e ferir? Abençoá-los? Orar e meditar por eles? Enviar-lhes luzes coloridas? Sermos piedosos? Em parte, pode até ser... Mas será que isso basta? Como dialogar com quem quer te calar, te ofender ou até te eliminar? Como se defender no ato de quem deseja te agredir? Ou de quem quer te enganar e explorar? Como lidar com quem pensa a realidade de modo invertido? Até onde a tolerância é saudável? Então, não devemos “vigiar e punir” como dizem os teóricos relativistas? Será que não existe algum tipo de punição que seja educativa? E o nosso direito a legitima defesa, onde fica? Ademais, quais são as reais intenções daqueles que filosofam e criam teses sofisticadas favorecendo a impunidade na sociedade?

Ou em outras palavras: Como lidar com as artimanhas e os ilusionismos dos que são especialistas em ocultar a sua maldade? Como identificar aqueles que disfarçam como ninguém a sua duplicidade? Como proceder quando a circunstancia nos defronta com o lado escuro da vida e uma espiritualidade de visão “noturna” nos é exigida? Como identificar o mal no ato, revelá-lo e tirá-lo da sombra? Até onde uma demasiada benevolência não oculta as nossas próprias mazelas espirituais, a nossa insanidade, o nosso desejo de sofrer, a nossa agressividade não reconhecida e que se volta contra nós? Até que ponto não ocultamos algum mal que não queremos ver, nem sentir ou reconhecer em nós mesmos? Até onde, em nossa ingenuidade perversa, de hipócritas tentando ser politicamente corretos ou não julgadores e sujeitos compassivos, não estamos voluntariamente dando a corda a quem dissimuladamente deseja nos enforcar?

Ora, podemos aceitar a existência da loucura alheia, da psicose e até da histeria dos séquitos padecentes que não desejam ver a verdade, mas não somos obrigados a nos submeter a esses ou permitir-lhes envolver-nos a todos em suas insanidades. Aceitar não é o mesmo que se submeter. Posso aceitar a ignorância ou a fraqueza humana de caráter que leva a corrupção, mas não posso nunca fazer vista grossa a ela, ou justificar atos individuais pelo “sistema corrompido”, na ânsia de anistiá-los ou minimizá-los, promovendo assim uma cultura de impunidade ou de falseamento da coexistência de uma responsabilidade também pessoal. Isso é perversão! É uma inversão de valores muito perigosa e quem o faz, seja por desonestidade intelectual ou inocência, busca o sofrimento, seja como algoz ou como vítima. E é um serviçal da maldade existente nesse mundo.

Em todos os segmentos da sociedade estamos nos defrontando com uma polarização de dilemas morais que parecem jogar-nos uns contra os outros, de modo que uma "guerra cultural" tem ocorrido em meio às próprias instituições que nos atravessam, e assistimos colegas, amigos, vizinhos e concidadãos com visões tão radicalmente incoerentes que parecem ter sido cooptados por algum esquema muito engenhoso de lavagem cerebral. Somos surpreendidos pela virulência de uma mentalidade subversiva, cínica, coletivista e revolucionária, que parece ter se infiltrado a tal ponto que já não se pode mais crer na credibilidade das próprias instituições, tendo em vista não estarem imunes à má influência e a estandardização da patifaria, da desfaçatez e da corruptela degradante entre os seus e nas entranhas de suas malhas burocráticas ou funcionais.

Então vemos juízes, desembargadores, advogados, engenheiros, psicólogos, ativistas sociais, políticos, professores, empresários, religiosos, jornalistas, cidadãos em geral, replicando retóricas relativistas intelectuais ou acadêmicas tão falseadoras da moral que chegam ao ponto de confundir direitos humanos com salvo-conduto para a delinquência e a criminalidade, de modo que nos deparamos com uma sociedade tão malsã que parte de seus cidadãos põem-se a proteger bandidos e a idolatrar corruptos em nome de ideologias pretensamente bem intencionadas ou coletivistas, ou ainda pior, pelo infame, grotesco e repugnante culto a personalidades escandalosamente suspeitas ou comprovadamente desonestas.

No entanto, admissível mesmo seria apenas proteger o lado humano do bandido e nunca o lado bandido do ser humano. Teorias de subversão de valores têm sido aplicadas em nossas legislações deformando completamente o sistema de modo que vemos um grupo de algozes sendo protegidos pelo Estado, enquanto as vítimas acabam sendo desamparadas. Ou seja, o lado humano de ambos é ignorado, pois a inversão de valores é tamanha que se vitimiza o lado algoz do vilão, numa apologia a sua desumanidade e se despreza o lado humano da vítima.

Assim, assistimos atônitos a uma profusão de direitos “desumanos” sendo disseminados e defendidos em nossas instituições por intelectuais orgânicos, teóricos relativistas e burocratas de moral invertida e caráter deformado, mas devidamente velados pelo discurso do politicamente correto.

A subversão dos valores em nossa sociedade é uma das facetas mais evidentes da recorrência de um lado sombrio demasiadamente humano atuante por detrás de todas as tensões sociais em que a racionalidade encontra-se dissociada das dimensões emocional e espiritual do inconsciente profundo. O lado intelectual em seu viés doutrinário pérfido, em sua razão instrumental e erudição verborrágica relativista pode inclusive criar sofisticados mecanismos repressores para manter essa cisão, fazendo uso desde retóricas políticas, a religiosas e cientificas, e a criação de falsas narrativas sem nenhum compromisso com a verdade, mas apenas a manutenção do poder.

Então, essa outra face da espiritualidade, não solar, mas noturna, sombria e oculta, também precisa urgentemente da nossa atenção, pois é aqui que muitos se desviam e se perdem de si mesmos, deixando-se enganar, alienar e sofrer. Ou seja, devido a essa face psicoespiritual oculta e não revelada que tememos “ver” e “sentir” em nós mesmos e que por isso mesmo, também não percebemos no outro quando esse intenciona ocultá-la de nós, acabamos nos deixando envolver por uma rede subtil de manipulações que se aproveita da nossa dissociação afetiva, da fragmentação do nosso ser e decorrente falta de autoconsciência.

Se somos dissimulados a respeito do mal que subsiste em nosso interior, enquanto oposto natural do bem, e que se esconde em nossa sombra, em nosso inconsciente, e que se manifesta em nosso comportamento sempre através do contraditório, do ambivalente, então, também não iremos ver a dissimulação do outro, a sua face mais sombria e a sua maldade enganadora, a não ser talvez quando já for tarde demais e já tivermos sido golpeados. E então, os malvados e seus seguidores, alguns apenas inocentes úteis, ainda irão tentar convencê-lo de que o golpista é você ou de que eles nada têm a ver com isso.

Toda a pessoa boazinha e compassiva demais com outros pode estar a ocultar de si as suas culpas e ressentimentos, os seus recalques. Faz tudo pelos outros e acaba se deixando explorar na ânsia de agradar. É a vítima perfeita das corrupções, dos falsos profetas e gurus, bem como, dos líderes psicopatas e totalitários e seus discursos populistas ou quiméricos. Os maus adoram os bonzinhos, pois esses são as suas vítimas prediletas. Os bons ou benevolentes e os maus ou malevolentes, parasitam uns aos outros. Por isso, a forma mais eficaz de escravidão é a mental e as piores prisões são as psicológicas e ideológicas, pois nelas os escravos defendem as suas próprias correntes, se sentindo protegidos pelo seu senhorio ou por alguma ordem coletiva. Os frágeis de espírito ou carentes de afeto são sempre bajuladores e bajulados, viciados em poder. Eis a debilidade humana que leva aos totalitarismos, as ditaduras e ao servilismo estatal, religioso, intelectual, midiático, partidário, cientifico, financeiro, etc.

Essa fragilidade emocional, espiritual ou ignorância ancestral da ambivalência humana, é o que nos leva a adoração ao poder e a idolatria aos poderosos, aos salvadores, mestres, doutores, políticos, excelências, celebridades, santidades e gurus de todos os tipos! Tanto que frequentemente quando os psicopatas dominam o poder na sociedade, e isso é muito mais comum do que se imagina, o fingimento histérico da população se torna um modo de subserviência.

O mal é sempre ilusionista, visa nos envolver e enganar, a fim de nos manter escravizados, pois em algum nível ainda precisa de nosso consentimento interno para atender ao seu parasitismo. Portanto, é preciso revelá-lo, tirá-lo da sombra, parar de querer sofrer e ter coragem de encara-ser a fundo e através das relações.

Afinal, podemos claro, florir ao invés de ferir. Agora, diga a isso a um psicopata, entregue flores aos nazistas ou aos comunistas para ver se isso iria impedi-los de te jogar num campo de concentração! Discorde da agenda obtusa dos revolucionários culturais da atualidade para ver se eles não irão tentar assassinar a tua reputação ou te condenar ao ostracismo. Amar não é só deixar de ferir o outro, mas é defender-se de quem te fere. Quando nos defendemos legitimamente, paramos de deixar o outro nos ferir e isso é o melhor que pode acontecer para ambas as partes, até mesmo dentro de uma lei de causa e efeito, ou de justiça de vida;  pois, quando fazemos isso, paramos de nos fazer vítimas e contribuímos para impedir que os outros continuem logrando êxito como algozes, proliferando o mal e o sofrimento nesse mundo.


Assim, necessitamos desse autocuidado, dessa autoconsciência, desse autoamor. Por isso, o caminho do amor é também uma trilha para quem é “guerreiro”, para quem deseja a autenticidade e a plenitude de ser e que não titubeia em mostrar a sua face irada diante das injustiças, iniquidades e violências do mundo, nem vacila em entrar em ação a partir dessa ira, e não necessariamente com ela, usando-a como um sinalizador do que está a nos ferir, nos demandando atitude, ou do que se deve parar de querer controlar e transmutar internamente. Desse modo, podemos assumir o compromisso em aplicar essa energia vital para nos posicionarmos com assertividade e discernimento frente ao mal e seus ilusionistas, criando limites e interdições, olhando firme para dentro e para fora, atentos ao que é luz e ao que é sombra, lutando conscientemente na legitima defesa dos valores universais e da justiça.

Precisamos de um olhar que abençoa, mas também de um olhar com coragem daquele que se dispõe a encarar o abismo escuro dentro de si. Pois, mesmo que esse nos encare de volta, nada mais é do que parte de nós mesmos que devemos acolher e tornar consciente em nossa jornada de autodescoberta.

Portanto, se almejamos a liberdade, nos tornar íntegros, precisamos contemplar a integralidade da vida, e não apenas as facilidades enganosas de se viver só de conveniências, nos dissociando e tornando perigosos ao nosso entorno. Devemos conscientizar-nos de que podemos sempre encontrar as bênçãos do êxtase divino no repouso da quietude, e a bendita paz interna na “não ação”, em nos dissolvendo no silêncio, na “terra prometida” de nosso próprio “espaço sagrado interior”, tanto quanto, nas ações com ética, amorosidade e retidão nas relações sociais exteriores, nas batalhas diárias que encaramos desde dentro com presença, inteireza e dignidade perante o mundo dos fenômenos.